QUANDO O EVANGELHO ENTRA EM CASA
Texto bíblico: Efésios
5.22–6.9
Tema: O senhorio de Cristo nos relacionamentos
cotidianos
Versículo-chave: Efésios
5.21
“Sujeitando-vos uns aos outros no temor de Cristo.”
IDEIA
CENTRAL
O evangelho não
transforma apenas nossa relação com Deus; ele transforma também a maneira como
tratamos as pessoas que Deus colocou mais perto de nós.
INTRODUÇÃO
— A ESPIRITUALIDADE QUE CHEGA EM CASA
No estudo anterior,
terminamos com uma das grandes ordens de Efésios:
“...enchei-vos do
Espírito.” Efésios 5.18. E Paulo mostrou alguns resultados dessa plenitude: louvor,
gratidão e relacionamentos transformados.
Então ele diz: “Sujeitando-vos
uns aos outros no temor de Cristo.” E imediatamente começa a falar sobre a vida
dentro de casa.
Isso é muito
significativo, porque é relativamente fácil parecer espiritual durante algumas
horas dentro da igreja.
A grande questão é:
O que acontece quando voltamos para casa? Como tratamos nosso marido ou
nossa esposa? Como pais tratam seus filhos? Como filhos tratam seus pais?
E, ampliando o
princípio do texto, como tratamos aqueles com quem convivemos nas relações
cotidianas?
Paulo está
mostrando que a plenitude do Espírito precisa aparecer nos relacionamentos.
1. CRISTO ENTRA NO CASAMENTO
Efésios 5.22–33. Paulo
começa tratando do relacionamento entre marido e mulher.
E existe algo muito
profundo aqui. Ele não apresenta o casamento apenas como uma relação social. Ele
coloca Cristo no centro do casamento.
Ao falar à esposa,
a referência é: “como ao Senhor.” Ao falar ao marido: “como também Cristo amou
a igreja e a si mesmo se entregou por ela.”
Percebam: Cristo
é o padrão. Por isso esse texto nunca deveria ser utilizado como
autorização para egoísmo, autoritarismo ou abuso.
Ao marido, Paulo
apresenta um padrão extremamente elevado: “Cristo amou a igreja e a si mesmo
se entregou por ela.” O modelo da liderança cristã não é dominação. É a
cruz. É um amor que serve, um amor que protege, um amor que se entrega.
E Paulo termina
dizendo: “Cada um de per si também ame a própria esposa como a si mesmo, e a
esposa respeite ao marido.”
O evangelho entra
no casamento quando marido e mulher deixam de perguntar apenas:
“O que eu estou
recebendo?” e começam a perguntar: “Como posso refletir
Cristo nesta relação?”
2. CRISTO ENTRA NA RELAÇÃO ENTRE PAIS E FILHOS
Efésios 6.1–4
Depois Paulo fala
aos filhos: “Filhos, obedecei a vossos pais no Senhor, pois isto é justo.” E
lembra o mandamento: “Honra a teu pai e a tua mãe.”
Mas Paulo não para
nos filhos. Ele também se dirige aos pais: “E vós, pais, não provoqueis vossos filhos à
ira...”
Isso é importante. O
evangelho estabelece responsabilidades dos dois lados. Os filhos são chamados à
obediência e à honra, enquanto os pais são chamados a exercer sua autoridade de
maneira coerente com Cristo.
A
autoridade cristã nunca é licença para ferir.
Paulo continua: “...mas
criai-os na disciplina e na admoestação do Senhor.” A responsabilidade dos pais
não é simplesmente criar filhos bem-comportados. É conduzi-los na direção do
Senhor.
Nosso maior
objetivo não deveria ser apenas que nossos filhos tenham uma boa profissão,
bons estudos e uma vida confortável. Tudo isso pode ser importante, mas existe
algo maior: que conheçam, amem e sigam a Cristo.
3. CRISTO ENTRA EM NOSSAS RELAÇÕES DE AUTORIDADE E SERVIÇO
Efésios 6.5–9. Aqui
encontramos uma parte que exige cuidado. Paulo fala a servos e senhores dentro
da estrutura social existente no mundo greco-romano. O texto não
deve ser usado como legitimação da escravidão.
O ponto de Paulo
dentro daquela realidade é profundamente cristocêntrico: tanto aquele que serve
quanto aquele que exerce autoridade está debaixo de um Senhor maior: Cristo.
Aos servos, Paulo
diz:
“...como servos de Cristo, fazendo, de coração, a vontade de Deus.” E
aos senhores: “...sabendo que o Senhor, tanto deles como vosso, está nos céus, e que
para com ele não há acepção de pessoas.”
Isso muda
completamente a perspectiva. Diante de Cristo, posições sociais não determinam
o valor de uma pessoa. O senhor terreno também possui um Senhor, e esse Senhor
não faz acepção de pessoas.
Portanto, qualquer
autoridade que possuímos está debaixo da autoridade de Cristo.
4. O PRINCÍPIO QUE UNE TODO O TEXTO
Qual é a ligação
entre todas essas relações? CRISTO.
Observe:
·
A esposa age “como ao Senhor”.
·
O marido ama “como Cristo amou a igreja”.
·
Os filhos obedecem “no Senhor”.
·
Os pais criam seus filhos na “admoestação do
Senhor”.
·
Os servos trabalham “como servos de Cristo”.
·
Os senhores precisam lembrar que também possuem “Senhor
nos céus”.
Cristo aparece em
todas as relações. Essa é a grande mensagem desse texto:
Jesus não quer ser
Senhor apenas do nosso culto. Ele quer ser Senhor dos nossos relacionamentos.
CONCLUSÃO — QUEM CONVIVE CONOSCO VÊ CRISTO EM NÓS?
Talvez uma das
perguntas mais sérias que podemos fazer seja: As pessoas que convivem comigo
conhecem a mesma versão de mim que as pessoas da igreja conhecem?
Porque é possível
cantar sobre Cristo no domingo e falar de maneira cruel dentro de casa. É
possível conhecer muita Bíblia e não saber pedir perdão. É possível servir na
igreja e ser indiferente às necessidades da própria família.
Paulo não permite
essa separação.
O evangelho que
transforma nosso relacionamento com Deus precisa transformar também nosso
relacionamento com as pessoas.
E existe uma
progressão muito bonita em Efésios:
1. Cristo
transforma quem somos.
2. Cristo
transforma como vivemos.
3. Cristo
transforma como tratamos uns aos outros.
A verdadeira
espiritualidade não termina na porta da igreja. Ela atravessa essa porta
conosco e entra em casa.
PARA
REFLEXÃO
Hoje, em vez de
olharmos para o que o outro precisa mudar, façamos uma pergunta pessoal:
“O que precisa
mudar em mim para que as pessoas que convivem comigo enxerguem mais de Cristo?”
FRASE FINAL
O evangelho
demonstra seu poder não apenas na maneira como adoramos a Deus, mas também na
maneira como tratamos quem vive ao nosso lado.
E que Cristo, em
sua infinita graça, nos abençoe sempre!

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