MAIS QUE FREQUENTAR: PERTENCER
MAIS QUE
FREQUENTAR: PERTENCER
O
Evangelho não forma apenas convertidos; forma um povo
Texto bíblico: 1Pedro 2.4-10
⁴ E,
chegando-vos para ele, pedra viva, reprovada, na verdade, pelos homens, mas
para com Deus eleita e preciosa, ⁵ Vós também, como pedras vivas, sois
edificados casa espiritual e sacerdócio santo, para oferecer sacrifícios
espirituais agradáveis a Deus por Jesus Cristo. ⁶ Por isso também na Escritura
se contém: Eis que ponho em Sião a pedra principal da esquina, eleita e
preciosa; e quem nela crer não será confundido. ⁷ E assim para vós, os que
credes, é preciosa, mas, para os rebeldes, a pedra que os edificadores
reprovaram, essa foi a principal da esquina, ⁸ E uma pedra de tropeço e rocha
de escândalo, para aqueles que tropeçam na palavra, sendo desobedientes; para o
que também foram destinados. ⁹ Mas vós sois a geração eleita, o sacerdócio
real, a nação santa, o povo adquirido, para que anuncieis as virtudes daquele
que vos chamou das trevas para a sua maravilhosa luz; ¹⁰ Vós, que em outro
tempo não éreis povo, mas agora sois povo de Deus; que não tínheis alcançado
misericórdia, mas agora alcançastes misericórdia.
Tema: A graça que nos une a Cristo também
nos une ao seu povo. Deus não nos chamou apenas para frequentar reuniões, mas
para pertencer, servir, cuidar e participar de sua missão como Igreja.
Verdade central:
Em Cristo, deixamos
de ser apenas indivíduos salvos e nos tornamos pedras vivas de uma casa,
membros de um corpo e integrantes de um povo.
Propósito: Levar a igreja a compreender que
pertencimento cristão vai além da frequência aos cultos, despertando
compromisso, cuidado mútuo, serviço e responsabilidade pela vida dos irmãos; e
convidar aqueles que ainda não pertencem a Cristo a encontrarem nele reconciliação
com Deus e uma nova família.
INTRODUÇÃO — É
POSSÍVEL ESTAR PRESENTE SEM PERTENCER
Existe uma diferença
entre estar em algum lugar e pertencer àquele lugar.
Você pode entrar em um
restaurante, sentar-se, comer e ir embora. Ninguém espera que você lave os
pratos. Ninguém liga na segunda-feira perguntando por que você não voltou. Você
não precisa conhecer as necessidades das outras pessoas nas mesas. Você
simplesmente chega, recebe um serviço e vai embora. E por quê? Porque você é cliente.
Mas a sua casa é
diferente. Na sua casa você não é cliente, você pertence. Você percebe quando
alguém não está bem. Você participa das alegrias, carrega preocupações, assume
responsabilidades, serve e é servido. Sua presença faz diferença e sua ausência
também.
Talvez um dos perigos da
igreja contemporânea seja transformar aquilo que deveria funcionar como família
em algo parecido com um serviço religioso.
×
Chego.
×
Sento.
×
Canto.
×
Ouço.
×
Recebo.
×
Vou
embora.
×
E
volto quando der.
Mas com toda certeza não
foi isso que Jesus imaginou quando disse: “Edificarei a minha igreja”? (Mateus
16.18).
Nas últimas semanas
temos construído uma sequência. Vimos que a Bíblia é nossa autoridade,
que somos salvos pela graça; falamos de conversão e nova vida,
mas agora surge uma pergunta:
O que acontece com
aqueles que receberam essa nova vida?
Deus simplesmente
espalha milhões de indivíduos salvos pelo mundo, ou faz alguma coisa com eles?
Pedro vai responder de
maneira belíssima: “Chegando-vos para ele, a pedra que vive [...] também
vós mesmos, como pedras que vivem, sois edificados casa espiritual...” (1Pedro
2.4-5).
Deus não está apenas
salvando pedras. Deus está construindo uma casa.
1. TODO VERDADEIRO
PERTENCIMENTO COMEÇA EM CRISTO
Observe como Pedro
começa: “Chegando-vos para ele...” (1Pedro 2.4)
Antes de falar da
Igreja, Pedro fala de Cristo. Isso é fundamental.
A Igreja não começa com
pessoas tentando encontrar umas às outras. A Igreja começa com pessoas que
foram encontradas por Cristo.
Pedro chama Jesus de: “a
pedra que vive, rejeitada, sim, pelos homens, mas para com Deus eleita e
preciosa.”
Cristo é o fundamento.
Efésios 2.20 também fala
da Igreja: “...sendo ele mesmo, Cristo Jesus, a pedra angular.”
Na construção antiga, a
pedra angular era referência para o restante da construção. A casa precisava
estar alinhada com ela.
A Igreja não existe
primeiramente ao redor de: um pastor, uma denominação, um estilo musical, um
prédio, uma tradição, uma preferência, um grupo de amigos. A Igreja existe
ao redor de Jesus Cristo.
É claro que é
possível frequentar uma igreja sem pertencer a Cristo. E Essa distinção precisa ficar muito
clara.
É possível aprender os
costumes, conhecer os hinos, conhecer a Bíblia, ter amigos cristãos, participar
de atividades, até exercer alguma função, e ainda assim nunca ter
verdadeiramente se rendido a Jesus.
Portanto, antes de
perguntar: “A qual igreja você pertence?”, existe uma pergunta anterior: “Você
pertence a Cristo?”
Porque não é a Igreja
que salva. Cristo salva.
Na semana passada vimos:
“Porque pela graça sois salvos, mediante a fé...” (Efésios 2.8)
Nossa entrada no povo de
Deus começa quando, pela graça, somos unidos a Cristo mediante a fé. Portanto,
a primeira pergunta desta noite não é: “Você está frequentando?”. A pergunta é:
“Você está em Cristo?”
2. QUEM CHEGA A
CRISTO É COLOCADO PERTO DE OUTRAS PEDRAS
Agora observe o
versículo 5: “Também vós mesmos, como pedras que vivem, sois edificados
casa espiritual...”
A imagem de Pedro é
extraordinária: Cristo é a Pedra Viva e aqueles que chegam a Cristo tornam-se “pedras
que vivem.”
Mas existe um detalhe. Uma
pedra sozinha não é uma casa. Você pode ter uma pedra maravilhosa, polida,
bonita, forte, mas isolada, continua sendo apenas uma pedra.
Para haver uma casa,
pedras precisam ser edificadas juntas.
Essa imagem confronta
uma ideia bastante comum: “Eu tenho minha fé. Tenho Jesus. Não preciso da
igreja.”
O Novo Testamento
simplesmente não conhece esse modelo como ideal de vida cristã.
A salvação é pessoal; ninguém
pode crer por você. Mas a vida cristã não é individualista. Deus nos
salva pessoalmente e nos incorpora a um povo.
Efésios 2.19 diz: “Assim,
já não sois estrangeiros e peregrinos, mas concidadãos dos santos, e sois da
família de Deus.”
Que mudança!
×
Estrangeiros
→ família.
×
Distantes
→ próximos.
×
Pedras
dispersas → casa.
3. O EVANGELHO NÃO
MUDA APENAS MINHA RELAÇÃO COM DEUS
Isso é importante. Às
vezes resumimos o Evangelho assim: “Eu era pecador. Jesus morreu por mim. Agora
estou reconciliado com Deus.”
Tudo isso é verdadeiro,
mas o Novo Testamento acrescenta: Quando Deus nos reconcilia consigo, ele
começa também a reconciliar-nos uns com os outros.
Jesus não morreu apenas
para produzir indivíduos perdoados. Efésios 2.14 diz: “Porque ele é a
nossa paz, o qual de ambos fez um...”
A cruz possui uma
dimensão vertical: Deus e o pecador, mas produz também consequências
horizontais: pecadores reconciliados aprendendo a viver juntos.
Isso significa que minha
maturidade espiritual não pode ser medida apenas por quanto eu sei, quanto eu
oro, quantos cultos frequento, quantos versículos conheço. Também precisamos
perguntar: Como estou aprendendo a amar pessoas? Porque é justamente aí
que a fé fica difícil.
É relativamente fácil
amar a “Igreja” como conceito. Difícil é amar irmãos concretos, com
temperamentos diferentes, opiniões diferentes, limitações diferentes, manias
diferentes.
Pessoas que às vezes nos
decepcionam e que, em outros momentos, são decepcionadas por nós.
Por isso Jesus disse: “Nisto
conhecerão todos que sois meus discípulos: se tiverdes amor uns aos outros.”
João 13.35
IGREJA NÃO É O LUGAR
ONDE ENCONTRO PESSOAS PERFEITAS
Se você está procurando
uma igreja onde ninguém falha, não encontrará. E se encontrar, não entre,
porque deixará de ser perfeita.
Nós somos pecadores
alcançados pela graça, sendo transformados por Deus. Por isso pertencimento
exige:
Paciência, perdão, humildade,
conversa, reconciliação, suportar uns aos outros.
Colossenses 3.13
diz: “Suportai-vos uns aos outros, perdoai-vos mutuamente...”
A palavra “suportar” é
muito prática. Significa que a Bíblia já pressupõe que haverá momentos em que
conviver será difícil. A solução bíblica não é: “Quando alguém me desagradar,
desapareço.” É aprender a viver o Evangelho no relacionamento.
4. NA IGREJA, MINHA
PRESENÇA NÃO É NEUTRA
Agora quero tocar numa
questão muito prática.
Hebreus 10.24-25
diz: “Consideremo-nos também uns aos outros, para nos estimularmos ao amor e às
boas obras. Não deixemos de congregar-nos, como é costume de alguns...”
Normalmente usamos esse
texto assim: “Você precisa ir ao culto porque precisa receber.” É verdade que
precisamos. Precisamos da Palavra, da oração, da comunhão. Mas observe o texto:
“Consideremo-nos uns aos outros...” “para nos estimularmos...”
A lógica não é apenas: “Vou
porque preciso ser abençoado.” Também é: “Vou porque minha presença pode
abençoar alguém.”
Isso muda completamente
nossa maneira de enxergar a reunião da igreja.
Talvez você chegue num
domingo pensando: “Hoje não estou muito disposto.” Mas talvez alguém precise
apertar sua mão, talvez alguém precise ouvir você cantar, talvez uma criança
precise ver sua fidelidade, talvez um novo convertido precise perceber que não
está sozinho, talvez um visitante precise encontrar alguém que o acolha, talvez
um irmão esteja atravessando uma luta silenciosa e uma conversa sua seja
instrumento de Deus.
Sua presença não é
neutra e isso
significa também: sua ausência não é neutra. Quando pertencemos, fazemos
falta.
5. UMA PERGUNTA
DESCONFORTÁVEL: QUEM PERCEBERIA SUA AUSÊNCIA?
Pense nisso. Se você
ficasse algumas semanas sem aparecer, quem sentiria sua falta?
Mas quero fazer a
pergunta ao contrário também: De quem você sentiria falta? Porque seria
muito fácil transformar este sermão numa cobrança: “A igreja precisa sentir
minha falta!”, mas pertencimento funciona nos dois sentidos.
Talvez devamos
perguntar: De quem eu tenho sentido falta? Quem não veio hoje? Você
percebeu? Alguém que normalmente se senta perto de você não apareceu. Você sabe
por quê? Alguém está passando por dificuldade. Você entrou em contato?
Gálatas 6.2 diz: “Levai
as cargas uns dos outros e, assim, cumprireis a lei de Cristo.”
Não diz: “O pastor
levará todas as cargas.” Diz: “uns dos outros.”
Existe uma expressão que
aparece repetidamente no Novo Testamento: uns aos outros.
Amem uns aos outros, sirvam
uns aos outros, perdoem uns aos outros, encorajem uns aos outros, orem uns
pelos outros, suportem uns aos outros, confessem pecados uns aos outros, levem
as cargas uns dos outros.
Isso significa que o
cuidado cristão nunca foi projetado para ser profissional. A Igreja cuida da
Igreja.
6. PERTENCER
SIGNIFICA DEIXAR DE SER APENAS CONSUMIDOR
Paulo usa outra imagem
em 1Coríntios 12. Um corpo: “Porque,
assim como o corpo é um e tem muitos membros [...] assim também com respeito a
Cristo.” (1Coríntios 12.12).
Depois ele diz: “Ora,
vós sois corpo de Cristo; e, individualmente, membros desse corpo.” (1Coríntios
12.27).
Um membro do corpo não
pergunta “O que o corpo pode oferecer para mim?”. Ele existe para participar da
vida do corpo.
A mão serve, os olhos
servem, os pés servem, os ouvidos servem. Cada parte possui função. Isso
confronta o cristianismo consumidor.
O consumidor pergunta: “Gostei?”
O discípulo pergunta: “Fui fiel?”
O consumidor pergunta: “O
que fizeram por mim?” O discípulo pergunta: “A quem posso servir?”
O consumidor pergunta: “Este
culto atendeu às minhas expectativas?” O discípulo pergunta: “Como posso
glorificar a Cristo e edificar meus irmãos?”
EXISTE ALGO QUE
SOMENTE VOCÊ PODE OFERECER
Talvez você pense:
“Eu não prego.” Tudo
bem.
“Eu não canto.” Tudo
bem.
“Não sei ensinar.” Tudo
bem.
O corpo não é formado
apenas por bocas. Existem pessoas que servem:
Acolhendo, visitando, orando,
ensinando crianças, organizando, contribuindo, telefonando, cozinhando, consertando,
aconselhando, ouvindo, encorajando, simplesmente estando perto quando alguém
sofre.
Não pergunte apenas: “Existe
um cargo para mim?” Pergunte: “Existe alguém a quem eu possa servir?”
Ministério começa
muito antes de recebermos um título.
7. PERTENCER
SIGNIFICA TAMBÉM PERMITIR-SE SER CUIDADO
Aqui existe outro
extremo. Algumas pessoas gostam de servir, mas têm enorme dificuldade de serem
cuidadas. Quando perguntamos: “Está tudo bem?” A resposta automática: “Tudo.” Mesmo
quando nada está bem.
Mas Gálatas diz: “Levai
as cargas uns dos outros.” Para alguém carregar parte da minha carga,
preciso permitir que saiba que ela existe.
Pertencer exige certa
vulnerabilidade.
Não significa contar
nossa vida para qualquer pessoa, não significa ausência de prudência. Mas
significa desenvolver relacionamentos em que posso dizer: “Ore por mim.” “Estou
com dificuldade.” “Preciso de ajuda.” “Estou sendo tentado.” “Meu casamento
precisa de oração.” “Estou desanimado.” “Não estou bem.”
Uma igreja onde todos
precisam parecer fortes o tempo inteiro será uma igreja cheia de pessoas
sofrendo sozinhas.
Mas o Evangelho nos permite abandonar a aparência. Por quê? Porque nossa
aceitação diante de Deus não depende de parecer que temos tudo sob controle.
Somos pessoas
sustentadas pela graça.
8. PEDRO DIZ QUE NÃO
SOMOS APENAS UMA CASA — SOMOS UM POVO
Voltemos a 1Pedro. Versículo
9: “Vós, porém, sois raça eleita, sacerdócio real, nação santa, povo de
propriedade exclusiva de Deus...” E o versículo 10: “Vós, sim,
que, antes, não éreis povo, mas, agora, sois povo de Deus...”
Perceba a quantidade de
palavras coletivas: Raça, sacerdócio, nação, povo.
Pedro diz: “Vocês são
povo.”
E existe algo
profundamente belo aqui. Talvez algumas pessoas saibam o que significa não
sentir que pertencem. Talvez tenham experimentado rejeição. Famílias quebradas,
abandono, solidão, relacionamentos que terminaram, lugares onde nunca se
sentiram verdadeiramente recebidas.
Então ouça: “Antes,
não éreis povo, mas, agora, sois povo de Deus.” O Evangelho não apenas nos
dá perdão.
Ele nos dá
pertencimento. Deus diz: “Vocês são meu povo.”
9. MAS PERTENCER NÃO
SIGNIFICA FECHAR-SE NUMA BOLHA
Aqui precisamos tomar
cuidado. Uma igreja pode descobrir a beleza da comunhão e cometer outro erro: tornar-se
um clube.
Todo mundo se conhece, todo
mundo gosta de ficar junto, temos comunhão, estamos confortáveis. E esquecemos
quem está do lado de fora.
Mas Pedro não permite
isso. Observe o restante do versículo 9: “...a fim de proclamardes as
virtudes daquele que vos chamou das trevas para a sua maravilhosa luz.”
Fomos feitos povo para
anunciar. Pertencimento e missão caminham juntos. Deus nos reúne e Deus nos
envia. Ele nos traz para perto, e então nos manda olhar para quem ainda está
longe.
Uma igreja saudável não
diz apenas: “Que bom estarmos juntos.” Ela pergunta: “Quem ainda precisa
conhecer Jesus?”
QUEM ESTÁ FALTANDO
NÃO APENAS NO CULTO, MAS NO REINO?
Essa pergunta muda tudo.
Talvez existam pessoas da igreja que estejam afastadas e precisem ser
procuradas.
Procuremos. Mas existem
também pessoas que nunca conheceram Cristo: vizinhos, parentes, colegas, amigos,
pessoas que talvez nunca entrem espontaneamente num templo.
E Deus nos colocou perto
delas, não por acidente. Talvez sua casa seja o lugar onde alguém poderá ouvir
sobre Jesus; talvez uma amizade sua abra uma porta que nenhum sermão meu abrirá;
talvez uma conversa durante a semana seja usada pelo Espírito Santo.
Porque Pedro diz que
fomos feitos povo: “a fim de proclamardes as virtudes daquele que vos chamou
das trevas para a sua maravilhosa luz.”
Uma igreja que pertence
a Cristo não existe apenas para dentro. Existe também para fora.
10. JESUS É O MODELO
DO NOSSO PERTENCIMENTO
Talvez alguém pense: “Isso
parece difícil.” É.
Amar pessoas custa; servir
custa; carregar cargas custa; perdoar custa; permanecer quando seria mais fácil
ir embora custa.
Onde encontramos força
para isso? Novamente: em Cristo.
Marcos 10.45: “Pois
o próprio Filho do Homem não veio para ser servido, mas para servir e dar a sua
vida em resgate por muitos.”
Veja nosso Senhor. Ele
não perguntou: “O que essas pessoas podem fazer por mim?” Ele se entregou.
Na cruz, Jesus não ficou
à distância. Ele entrou em nossa miséria, carregou nosso pecado, sofreu em
nosso lugar, morreu nossa morte e ressuscitou.
Então a vida comunitária
cristã não nasce simplesmente de uma regra: “Vocês precisam cuidar mais uns dos
outros.” Nasce do Evangelho: “Assim como Cristo nos amou, aprendemos a
amar.”
1João 4.19: “Nós
amamos porque ele nos amou primeiro.”
Essa é a ordem. Não
pertencemos para sermos salvos. Porque fomos alcançados pela graça,
aprendemos a pertencer. Não servimos para conquistar o amor de Deus. Porque
fomos amados, aprendemos a servir.
11. PARA QUEM ESTÁ
FERIDO PELA IGREJA
Preciso falar também com
outro grupo.
Talvez alguém ouça uma
mensagem sobre pertencimento e pense: “Pastor, você não sabe o que já fizeram
comigo dentro de uma igreja.”
Talvez seja verdade. Igrejas
podem ferir, líderes podem falhar, irmãos podem decepcionar.
Pecados precisam ser
tratados; abusos não devem ser encobertos em nome da comunhão; perdão não
significa fingir que nada aconteceu; reconciliação, quando possível, envolve
verdade, arrependimento e graça.
Mas existe algo que
precisamos distinguir: Cristo nunca prometeu uma Igreja composta por pessoas
que jamais falhariam. Ele está formando um povo de pecadores redimidos.
Não deixe que a falha de
pessoas faça você abandonar o projeto de Cristo para sua vida.
Talvez você precise de
tempo para cicatrizar, talvez precise de uma conversa difícil, talvez precise
perdoar, talvez alguém precise pedir perdão a você. Mas não conclua: “Nunca
mais pertencerei.”
Cristo ainda está
edificando sua Igreja e Ele ainda é a Pedra Angular.
12. PARA QUEM ESTÁ NA
IGREJA, MAS AINDA NÃO PERTENCE A CRISTO
Agora precisamos voltar
ao início. 1Pedro 2.4: “Chegando-vos para ele...” Tudo começa aqui:
Talvez você goste da
Igreja, talvez se sinta bem aqui, talvez tenha amigos aqui, talvez sua família
seja cristã. Mas nenhuma dessas coisas pode reconciliá-lo com Deus.
O Evangelho não é: “Entre
para uma comunidade e Deus aceitará você.” O Evangelho é: Cristo morreu por
pecadores e ressuscitou, e todo aquele que nele crê recebe vida.
Seu maior problema não é
solidão. É pecado.
Sua maior necessidade
não é simplesmente encontrar uma comunidade. É ser reconciliado com Deus.
E Jesus fez aquilo que
você não poderia fazer: Na cruz carregou nossa culpa. Ressuscitou. E agora
chama pecadores ao arrependimento e à fé.
PRIMEIRO, VENHA À
PEDRA VIVA
Talvez hoje seja o dia
de parar de apenas frequentar o ambiente de Cristo e verdadeiramente vir
a Cristo.
Pedro diz: “Chegando-vos
para ele...”
Venha! Não para uma
religião, não para um pastor, não simplesmente para uma denominação, mas para
Cristo.
Reconheça seu pecado; abandone
a confiança em seus próprios méritos; creia naquele que morreu e ressuscitou; e
descubra algo maravilhoso: Quando Cristo recebe você, ele não apenas lhe dá uma
nova vida.
Ele lhe dá também um novo
povo.
CONCLUSÃO — DE PEDRAS
ESPALHADAS A UMA CASA
Voltemos à imagem de
Pedro. Imagine várias pedras espalhadas pelo terreno. Cada uma isolada. Nenhuma
delas, sozinha, é casa. Então chega o construtor. Ele pega uma, coloca perto da
outra, ajusta, alinha, une... e lentamente aquilo que eram pedras dispersas
começa a assumir uma forma. Surge uma casa.
Pedro diz: “Também
vós mesmos, como pedras que vivem, sois edificados casa espiritual.”
Talvez essa seja uma boa
imagem para aquilo que Deus quer fazer conosco. Não apenas: “Que tenhamos
cultos cheios.” Mas: que sejamos uma casa. Não apenas pessoas
sentadas próximas umas das outras, mas pessoas que pertencem umas às outras
em Cristo.
×
Onde
alguém percebe quando o outro falta.
×
Onde
quem sofre não sofre sozinho.
×
Onde
quem cai encontra mãos para ajudá-lo a levantar.
×
Onde
dons são colocados a serviço.
×
Onde
crianças aprendem observando adultos fiéis.
×
Onde
jovens encontram pessoas que caminham com eles.
×
Onde
idosos sabem que continuam necessários.
×
Onde
novos convertidos encontram quem os ajude a crescer.
×
Onde
visitantes encontram acolhimento.
×
Onde
pecadores encontram o Evangelho.
×
Onde
ninguém é apenas número.
×
Onde
ninguém é apenas espectador.
×
Onde
ninguém precisa carregar tudo sozinho.
CINCO PERGUNTAS PARA
LEVAR PARA CASA
Não quero que terminemos
apenas dizendo:
“Que mensagem bonita
sobre a Igreja.”
Quero que cada um leve
algumas perguntas.
1. EU PERTENÇO
VERDADEIRAMENTE A CRISTO? Não
apenas à Igreja. A Cristo.
2. QUEM PERCEBERIA
MINHA AUSÊNCIA? Tenho
construído relacionamentos ou apenas frequentado reuniões?
3. DE QUEM EU
PERCEBERIA A AUSÊNCIA? Tenho
esperado ser cuidado ou também tenho cuidado?
4. QUE PARTE DO CORPO
ESTOU AJUDANDO A EDIFICAR? Onde
meus dons, meu tempo, minha presença e meus recursos estão servindo?
5. QUEM ESTÁ FORA E
DEUS COLOCOU PERTO DE MIM? Porque
não fomos feitos povo apenas para desfrutar da comunhão. Fomos feitos povo: “a
fim de proclamardes as virtudes daquele que vos chamou das trevas para a sua
maravilhosa luz.”
FRASE CENTRAL
Se você guardar apenas
uma frase desta noite, guarde esta: Na Igreja de Cristo, pertencimento
significa ser conhecido, ser cuidado, cuidar, servir e caminhar juntos na
missão.
Isso é muito mais do que
frequentar. Isso é ser povo. Pedro diz: “Vós, sim, que, antes, não éreis
povo, mas, agora, sois povo de Deus; que não tínheis alcançado misericórdia,
mas, agora, alcançastes misericórdia.”
(1Pedro 2.10)
Veja onde tudo termina: Misericórdia.
Não somos povo porque
somos melhores, ou porque merecemos. Não estamos nesta casa porque conseguimos
construir nosso próprio caminho até Deus.
“Agora alcançastes
misericórdia.”
Foi a graça que nos
trouxe até Cristo. É a graça que nos ensina a viver juntos. É a graça que nos
sustenta quando falhamos. E é essa mesma graça que nos envia para buscar
aqueles que ainda estão longe.
E que Cristo, em sua
infinita graça, nos abençoe sempre.

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